Christian Chávez fala sobre o mês do Orgulho Gay

Em recente entrevista para Revista Open, Christian Chávez fala sobre a importância da Marcha e o mês do Orgulho Gay.

Quais são os seus planos para o mês do orgulho?
“Vou estar fazendo campanhas que me enche de emoção. Ainda não sei o que vai acontecer com o desfile porque no ano passado cantei em Zócalo junto com Zemmoa, mas esse ano está um pouco mais. Mas logo eu invoco as pessoas para que se lembrem porque estamos aqui e que não é só este mês, e sim todo o ano”

Acredita que se tem deixado um pouco de lado as lutas sociais?
“Sim, um pouco, e é por isso que temos que lembrar quem começou esta luta, lembrar que em 1978 foi feita a primeira marcha no México, que eram mais ou menos 50 pessoas na Alameda, e que foram agredidas por policiais. Não só é festa, mas também de lembrar as novas gerações que todas essas liberdades que temos hoje é graças à estas pessoas que arriscaram suas vidas, suas familias, seus empregos, por lutar pelos nossos direitos”.

Não haverá carros alegóricos este ano para evitar a capitalização do festival?
“Existem duas organizações que fazem a Marcha e acho que uma delas se deu conta que estavam vendendo os espaços publicitários. Então assim foi decidido em conjunto que não vai ter carros este ano, o que eu acredito ser maravilhoso porque as pessoas voltam às origens de marchar a pé”.

Você concorda com essa medida?
“Eu acredito que é muito bom porque há empresas que vestem a camisa do Pinkwashing e já acham que são super pró gays, mas isso é somente nos dias de desfile, e depois nós descobrimos que despediram alguém do trabalho pro ser gay, ou transexual; Isos é imoral e temos que levantar nossa voz. Estou de acordo que não exista esse tipo de carros que inclusive complicam um pouco mais a marcha”.

Você se sentiu discriminado por sair do “armário”?
“Sim, completamente mas estou trabalhando desde 2007, tinha 14/15 anos, era um momento completamente diferente. Quando eu sai do armário, ou melhor dizendo, me tiraram. Ou seja, Ricky Martin nem sequer tinha lançado seu livro, então eu fui o elefante rosa, literalmente. A única coisa que falavam era da minha sexualidade e isso aconteceu em uma época onde todos podiam falar de qualquer pessoa. Me doeu aguentar a haste, é muito forte, foi difícil”.

Como você lembra desse momento?
“Fecharam todas as portas pra mim, mas longe de pensar na parte triste, penso no bonito que agora é a vida e ver como as coisas tem caminhado; de ver o casamento igualitário, a adoção homoparental, a luta das mulheres trans, de ver a Wendy e a Kimberly que agora são figuras públicas e que as pessoas gostam. Longe de estar contando e chorando, eu gosto mais de enfatizar que lindo que agora é o mundo, ainda que tenhamos que seguir lutando por muitas outras coisas”.

O que você diria para àquelas pessoas que ainda não conseguiram “sair do armário”?
“Eu diria para não se sentirem forçados a sair em nenhum momento, que ninguém deve forçar, mas eu também lhes diria que a liberdade é o mais lindo que existe e a única coisa que ninguém pode te tirar. O ser humano não nasce livre mas deve morrer livre, assim que lutem sempre por sua liberdade, mas não deixem que ninguém decida quando terá que fazê-lo; É algo muito pessoal”.

Como no seu post onde disse: “Atreva-se a ser você mesmo, dá medo… mas você se sente ótimo”.
“Esse post eu coloquei porque imagina, eu tenho 39 anos, cresci em uma família católica, em uma escola católica de puros homens, e toda a minha vida até quando sai do armário me diziam: “que não deixe transparecer, não pareça feminino, não seu roupas assim”. Então quando “sai do armário” eu voltei a entrar em outro. Mas pra mim foi algo muito mais difícil porque não pude e não aprendi a fazer as coisas que queria fazer”.

Viveria diferente sua adolescência agora?
“Justamente estava vendo um tiktok que dizia que as pessoas que nasceram entre 80 e 90, e obviamente as pessoas que nasceram antes, temos uma segunda adolescência porque a nossa não pudemos viver normalmente, tivemos que esconde-la. Então muita gente fala: “Ai, por que os gays não são instáveis?”, “Por que os gays se vestem como jovens?”. Pois não tivemos o mesmo que todos.
Agora os centennials é outra coisa, já vemos os jovens com Crop Top, maquiados, podendo sair de mãos dadas nas ruas e eu acho maravilhoso, mas nós não pudemos fazer isso”.

Quem são os músicos que te inspiram?
“Antes que nada, The Beatles. Eu tenho eles tatuados nas minhas costas. Eu amo os Beatles porque meu avô desde que eu era pequeno sempre me colocava pra escutar seus discos. Queen obviamente e em espanhol, Mecano, Timberiche, sou super Popeiro e é óbvio que eu amo Britney Spears, Madonna, Beyoncé e Lady Gaga. Esses são minha maior inspiração”.

Poderemos te ver em breve com Alan Estrada cantando “Terremotos” ao vivo?
“Seria lindo, quem sabe? Eu vou falar com Alan, o que acontece é que justamente na apresentação eu não pude estar, porque estava na Europa. Mas tomara, vou falar com Alan para ver se fazemos alguma surpresinha na PRIDE”.

Uma mensagem para nossos leitores.
“Quero dizer que se que amem, que se amem muitíssimo, abracem os seus seres queridos com toda a força e que vivam o aqui e agora porque amanhã não sabemos onde vamos estar”.

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